O QUE A ESQUERDA DEVE FAZER?

É difícil imaginar ser humano mais asqueroso moralmente e mais limitado intelectualmente do que o presidente da República Brasileira Jair Bolsonaro. Ninguém no mundo civilizado o quer por perto. Todos o evitam como se ele fosse portador de uma doença contagiosa e incurável. Nunca o Brasil foi tão ridicularizado como hoje em dia. Sua eleição, sempre fundamental lembrar, foi um “protesto” da classe média imbecilizada pela imprensa venal da elite, aliado às frações ressentidas e empobrecidas das classes populares. Estas últimas, empobrecidas e desempregadas sem compreender as causas reais e, portanto, também enganadas pela “corrupção dos tolos”, protagonizada por Sérgio Moro e seus asseclas da famigerada “Lava Jato”. Portanto, sem a farsa de Moro e da lava-jato não teríamos o maluco no poder.

Mas o “protesto” do voto no aloprado deveria se restringir à uma espécie de negação “simbólica” e momentânea do processo civilizatório brasileiro que estas eleições representaram. Cuja causa real é a rapina da própria população pela elite, travestida de bode expiatório da “corrupção política” para a população enganada. Bolsonaro era, para estes incautos desprovidos de reflexão produzidos por uma esfera pública manipulada e comprada, a negação contra todo o mal. A raiva e o desespero do empobrecimento não explicado nas suas causas reais foram o combustível do protesto dos imbecilizados unidos.

Recuperados da embriaguez patrocinada pelos inimigos da sociedade brasileira dentro e fora dela no período eleitoral com fraudes de toda espécie, os brasileiros percebem hoje que foram, mais uma vez, feitos de tolos. O cara na presidência é, no mínimo, um louco digno de hospício senão de cadeia, como as investigações reabertas agora podem indicar. A elite já decidiu que não o quer mais e os jornais mais conservadores, a “boca” da “elite do atraso”, como o Estadão e O Globo, já passam a senha de modo claro.

O seu braço no aparelho de estado, muito especialmente o ministério público, já desenterrou investigações que de outro modo seriam empurradas para debaixo do tapete. Começou o ordálio de morte de Jair Bolsonaro. O futuro de Bolsonaro deve ser a renúncia ou, como louco não renuncia à própria loucura, o “impeachment”. Bons motivos, ao contrário do “golpeachment” contra Dilma, não faltarão.

Ninguém em sã consciência poderia querer no comando da nação um sujeito sem competência para ser síndico de prédio. A questão agora passa a ser como as forças progressistas poderão tirar maior proveito deste desatino. O instante é propício para um aprendizado político importante. Seria um erro personalizar todo o processo na figura do capitão trapalhão.

Nesse sentido é fundamental que os protestos populares e estudantis se acirrem até a queda final. Estes foram os primeiros protestos de rua das forças progressistas desde a “revolução dos tolos” de 2013. Ainda que grupos de esquerda tenham iniciado aqueles protestos, estes foram quase que imediatamente cooptados pelos conservadores. Este fato é fundamental para a renovação da política brasileira que, precisa criar uma pauta proativa para não ser condenada à mera reatividade política contra o Bolsonarismo aloprado. Infelizmente este é precisamente o quadro atual.

Precisa também criar novas lideranças políticas que possam recuperar o terreno perdido, muito especialmente com o crescente público evangélico, o mais passível de pregação e manipulação conservadora. E, mais importante, embora a esquerda apequenada e colonizada intelectualmente eventualmente jamais entenda isso: é necessário aproveitar o momento atual, de profunda crise moral e política, para denunciar a “corrupção dos tolos” como a causa de toda manipulação simbólica da sociedade pela elite e por sua imprensa. Afinal, Bolsonaro é filho deste engodo. E depois dele surgirão outros “xerifes”.

A superficialidade de nossos quadros políticos atuais, muito especialmente na “esquerda”, talvez não permita a percepção do cavalo selado passando à sua frente. Mas a oportunidade de se construir uma contranarrativa da esparrela elitista, rente aos fatos e, portanto, compreensível por todos, nunca esteve tão a mão. A tarefa é ligar o desastre que Bolsonaro representa à Lava Jato e suas mentiras. Sem isso, não existirá narrativa de “esquerda” no Brasil.

8 COMENTÁRIOS

  1. Desculpas mais não sou burguesia. Só que em 100 dias Não se faz quase nada. E em 16 anos venderam quase o Brasil, com os escândalos da Lava Jato, Odebrech e outros. E um presidente que se rode ou de colarinhos brancos. E o pior com 02 presidentes presos. Loucos é ver e não fazer nada. E nunca fui burguês.

  2. Realmente, falta muito pra nossa esquerda deixar de ser “colonizada intelectualmente”. Acredita piamente em pseudomarxistas midiáticos, como Boaventura de Sousa Santos, Leandro Karnal e Slavoj Žižek, para não falarmos do profundo poço de obscurantismo relativista chamado “posmodernismo”, com suas falácias de transformar “opinião” em “verdade” e afirmar que “tudo é conhecimento”. E acreditando nessas peças, fatalmente lhes abre espaço, incluindo colunas em revistas e portais de internet. Não importa quantos os denunciem, mesmo figuras do calibre do Chomsky e Hobsbawm, nossa esquerda europeizada parece jurar que filósofos do Velho Mundo “não poderiam mentir”. Enquanto isso, livros de pensadores verdadeiramente grandes, honestos e claros, como o próprio Chomsky, somem dos sebos e livrarias num movimento evidentemente calculado pela máfia das editoras. Como escapar a essa situação, quando nossos próprios correligionários não querem sequer investigar o que dizemos?

  3. Ótima matéria. Adquiri e já li os últimos sete livros do Jessé. E na minha condição de professor da Educação Profissional e Tecnológica, no Instituto Federal do Amazonas, os tenho como referência nas aulas de Sociologia e História.
    Uma pena que eu ainda não consegui o contato do Jessé (e-mail pessoal ou institucional), pois trabalho com estudantes indígenas no município de São Gabriel da Cachoeira/Am, e gostaria de uma orientação ou troca de ideias como o Jessé sobre os instrumentos analíticos de P. Bourdieu e Charles Taylor, muito utilizados por ele, e que eu pretendo utilizá-los em estudos sobre a educação profissional no contexto da interculturalidade e multiétinico aqui no Médio e Alto rio Negro (noroeste do Amazonas), onde eu trabalho junto a mais de 20 etnias.
    Preciso com urgência do e-mail do Jessé Souza, para um contato mais direto e restrito com ele para tratar desta demanda.

  4. Bom é o lula que tá na cadeia,
    bom é a Dilma, que quebrou o país… pior que tudo isso é se o autor desse post fosse presidente.

  5. O problema é que nosso ex presidente não frequentou o meio acadêmico burguês. Teria ele condições de abafar este golpe se assim fosse lhe dado o espaço acadêmico. A esquerda não construiu base intelectual no meio das massas e isto trouxe de volta os abutres para o poder…

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